TRAVESSIA ILHABELA-ANGRA DOS REIS (16/07/2005)
Tudo preparado para Zarpar: barco arrumado, diesel com meio tanque, rota definida e marcada no GPS, previsão de tempo e vento excelentes e, pontualmente, as 21:00 partimos eu e o Chris para levar o grande Wakai de volta para Angra dos Reis.
Luzes ligadas e seguimos para o way point inicial que estava marcado na Ponta das Canas. Subimos o grande, chegamos a abrir a genoa e velejar um pouco mais o vento, de 6 a 8 nós, era frontal e decidimos adiantar só com o grande e o motor até amanhecer quando então velejaríamos. Seguimos então numa noite fria mas tranquila rumo ao través da Ilha Anchieta. Após passar por esse ponto tomamos um agradável susto quando um grupo de golfinhos começaram a nos seguir e a passar por baixo do barco...é uma coisa indescritível!!!
Passamos por Anchieta, que fica perto de Ubatuba e seguimos para o Farol da Joatinga, ponto esse que marca o início da Baía da Ilha Grande. Após passarmos por alguns pesqueiros atingimos o ponto e seguimos então para o próximo WP que já ficava dentro da Baía. Nesse momento, estávamos pelo través da Joatinga e derrepente o motor se calou...olhamos o marcador e o diesel havia acabado...
Eram 5 horas da manhã e estávamos a umas 25 milhas de Angra. Nesse momento começou a soprar um Nordeste de uns 8 nós e seguimos velejando (era só o que nos restava). Começamos então a traçar os planos. Ir para onde? O primeiro objetivo era sair dali e entrar pela Baia de Ilha Grande livrando o perigo de bater nas pedras da Joatinga.
Esse objetivo foi rapidamente cumprido e adentramos na Baía. Nessa hora, mais relaxados, o vento subiu para uns 15 nós e então velejamos o barco a 7,5 nós de velocidade de contravento. Nessa hora fiquei eu no leme e o Chirs nas escotas e parecia que estávamos numa regata em contravento. Queríamos aproveitar o máximo pois sabíamos que uma hora aquele terral ia parar...
E não deu outra. Quando estávamos perto da Ilha Grande o vento parou....ficou bem fraquinho...nessa hora nossos planos variavam de acordo com as rajadas...dava uma rajadinha pra lá e íamos para Paquetá, dava uma rajadinha pra cá íamos para as Botinas, e assim fomos...
Então resolvi encostar para esticar as costas e caí no sono deixando o Chris sozinho...diz ele que eu roncava...
Como nosso amigo Chris é especialista, levou o barco naquele ventinho e quando acordei já estávamos perto das Botinas...(o cara é fera em ventinho mesmo num 47 pés). Jogamos o ferro e fui com o bote em Angra buscar óleo diesel para o barco.
O motor não funcionou mais pois entrou ar no injetor e novamente içamos as velas e fomos lentamente nos aproximando da Verolme quando o apoio enfim chegou, nos rebocou para o pier, e atracamos as 17:30 de domingo.
Realmente foi uma travessia bastante especial.
Boa semana a todos.
Por Filipe Osorio
Nota: a travessia de ida merece um capítulo a parte pois feita com ondas de 5 metros mas posteriormente fazemos o relato